The cycle: adventure

One day i took a deep breath and made my final decision. After that followed a mix of emotions: adventurous spirit stimulated, all senses in alert, caution and an urge. But when it comes time to put everything away in cardboard boxes, disassemble furniture and plugging holes where once have hanged the paintings the little panic and the fear took over.

I cried like a fool through the house and felt incapable of lifting one single object. In an act of desperation to get out of all that emotion, i picked up the phone and asked for my friend’s company, she didn’t ask me anything because she said understood the feeling.
The days passed and the furniture was gradually replaced by pieces of wood stacked in the corner of the living room. At the end of these tiring days i’d seat at the computer to finish my portfolio of my best work, as some companies asked in job offers. The inspiration was not in its best days but still I struggled and managed to make an update and the most appealing look.

On my packing break days i dedicated myself to better understand the city where he was going, stuck to private groups on social networks dedicated to people in my situation. Many of them gave their testimony and understood the trials through which i was passing, but several said the same “Here is something that has long been lost there (Portugal), hope!”

One thing is certain, i did not take this decision lightly, after all is family and friends who i was leaving behind. It is our homeland where we speak our language we leave to go into the unknown. There were and are uncertainties to which we have no immediate answer and only time will tell upon the actions to take.
If i get successful the better, if it is not at least i tried my  best.

A Gaveta

Uma das minhas características saudosistas é observar a gaveta dos talheres. Sim, leram bem, estou a falar daquela gaveta da cozinha onde guardamos talheres de várias nações.
Eu vejo-a como um portal para viajar para o passado. Ainda me recordo bem da gaveta dos talheres da minha bisavó Lucinda (que partiu faz esta semana um ano), que consistia em garfos, facas e colheres para todos os gostos. Desde os talheres de cabo de madeira gastos, típicos de uma gaveta transmontana, duas ou três colheres de metal pequenas que faziam parte dos enxovais de bebé do meu pai. Colheres baças e torcidas do excesso de uso e lavagens à mão, misturadas com colheres de pau escurecidas de tantos caldos mexer, faças quase lâminas de tão bom o metal ser… Naquela época e naquela terra não seria de se esperar outra coisa. Torre de Moncorvo, uma vila ladeada de antigas minas de ferro.

gaveta_talheres

Na gaveta da minha avó materna reina o regime militar. Um faqueiro completo, diversificado e reluzente onde cada conjunto tem o seu devido compartimento com três tipos de colheres diferentes num canto, outros três tipos de faca para outro canto e por aí adiante. Todos ficam empilhados e rigorosamente alinhados. Tanto é que eu tenho cuidado ao fechar a bendita gaveta para não desalinhar nada, afinal de contas ela é uma senhora que gosta que cada objeto tenha o merecido lugar.
Ainda hoje confundo a colher de sobremesa com a colher de chá, pois respectivamente e se não estou em erro a colher de sobremesa é larga e mais funda que a de sobremesa. (Ao escrever isto já estou com sérias dúvidas se acertei agora a explicar.)

Hoje começo oficialmente e a fazer a minha panóplia de talheres. Por erro crasso comprei talheres com cabo de plástico quando cheguei a Dublin porque os mais baratos e de metal estavam esgotados e não me apetecia gastar uns trocos extra nuns mais caros. Depois de ter partido quase metade do conjunto, lá foi o marido comprar mais para renovar o stock de utensílios, acabando por ficar com 3 famílias de garfos e duas de garfos e colheres, enterrados nos pauzinhos chineses.

Ainda não senti neles a nostalgia que sinto ao observar o conteúdo destas gavetas, porque acredito que tenham de passar mais uns ciclos de vida para que passe a pensar nos meus primeiros meses aqui com aquele gostinho a saudade. Até lá vou acumulando pequenas recordações que ganho a cada dia que passo neste novo país para onde vim viver.